Ano: 2001
Em finais da década de 1970, a febre das dietas atinge em força a sociedade de Beverly Hills. Na altura com 11 anos, Lori Gottlieb começou a absorver todo aquele ambiente, todos os conselhos que ouvia das amigas e das mães das amigas, tudo o que lia nas revistas, tudo o que via nos anúncios publicitários, etc. Lori questiona, então, aquilo com que se depara e embarca, de um modo determinado e algo teimoso, numa dieta que por muito pouco não teve um final fatal.
Lori Gottlieb conta no epílogo desta obra a origem da mesma. A base para este relato são os seus próprios diários de adolescente, que encontrou quando procurava alguns documentos na casa dos pais. É um relato sobre aquele que é considerado um dos flagelos na sociedade moderna: a anorexia nervosa. No entanto, este não é um tratado cientifico sobre a doença, mas antes o ponto de vista do doente. Na adolescência de Lori, a pressão social e o culto de uma beleza irreal que ainda hoje continua a existir quase fez dela mais uma vítima. É angustiante ler que uma menina de 11 anos, em algum ponto da sua vida, achou que era saudável viver com um peso abaixo dos 27kg… No entanto, ouve algo no discurso da jovem Lori que fez com que eu sentisse uma espécie de ligação com a personagem. A sensação de ser “única”, uma “não-alinhada”, alguém que se recusa a ser mais um carneirinho no rebanho, alguém que não vê o propósito de fazer o que toda a gente faz exactamente por esse motivo. Este é um livro que serve um pouco para levantar o alerta, deixar as questões no ar em vez de dar as respostas a essas mesmas questões. Antes de terminar, deixo uma citação da parte final da obra: “A linha entre a anorexia e a normalidade pode parecer tão ténue que, por vezes, é difícil dizer se a anorexia nervosa é uma doença em si, ou se é, até certo ponto, uma consequência de uma doença generalizada da sociedade.”
Excerto:
“Assim, peguei no lápis e desenhei a rapariga que quero ser. Era alta e magra, mas tinha a minha cara e os meus cabelos. Quando o Dr. Gold olhou para o desenho, não fez qualquer movimento com a cabeça. «Isto é uma “pele e osso”», observou ele, como se eu não tivesse percebido o que ele me mandara fazer. «Tenta fazer um desenho realista de como gostarias de ser. Não te preocupes se não és boa a Desenho.» Deve ter pensado que eu era péssima a Desenho. Tentei explicar-lhe que aquele desenho era exactamente aquilo que eu queria ser, mas o Dr. Gold disse que não viveria se ficasse como no desenho. «Bem, se não gosta, não me peça que faça desenhos de como é que eu quero ser», disse eu; depois pedi-lhe para esquecer tudo. Que idiota!”





