Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Governo Sombra

Autor: Casimiro Teixeira
Ano: 2011


Passado nos dias de hoje, em Portugal, conhecemos dois homens com duas origens distintas. Um é Pedro Gonçalves. Casado, pai de família e desempregado, Pedro tem o sonho de um dia ser escritor e ver os seus livros nos escaparates das livrarias de todo o país. No momento em que a sua situação pessoal o deixou no limiar do total desânimo, a história de uma antiga colega de trabalho leva-o a um estado de total obsessão na busca da verdade. O outro homem é Henrique Lobo. Apesar da sua paixão ser a História, é arrastado para o mundo da política pelos tios. Henrique torna-se então um simples Secretário de Estado mas depressa percebe que está metido numa conspiração sem precedentes manobrada por uma sociedade secreta, Os Alquimistas, cuja única filosofia é o dinheiro.
Todos nós, em vários momentos das nossas vidas, nos questionamos que tipo de jogadas, mais transparentes ou mais sujas, acontecem nos corredores do poder. Todos nós, também, já incorremos no preconceito de achar que político é, obrigatoriamente, uma pessoa corrupta. Mas aquilo que é uma opinião consensual é que o dinheiro faz girar o mundo, para o bem e para o mal. Casimiro Teixeira apresenta-nos neste Governo Sombra um enredo intrigante, que vai prendendo lentamente o leitor até o mesmo chegar ao ponto de se questionar se aquilo que está a ler será real ou se é pura ficção. O autor apresenta-nos também uma escrita com poucos artifícios, fluída e com poucos momentos mortos. As personagens estão bem construídas de modo que é fácil para o leitor criar empatia com alguma em particular. No entanto, nem tudo são rosas. Reparei por várias vezes no uso incorrecto de "à" e "há". A situação chegou ao ponto caricato de numa linha ser usada a palavra errada e na linha seguinte já ser usada a correcta. Achei também desnecessária a introdução do nome das personagens que entravam nos capítulos no início dos mesmos. Indirectamente, o autor parece achar que o leitor não percebe de quem está a falar quando isso é perfeitamente perceptível com o avançar das linhas. E finalmente, achei que o texto ficou a perder um pouco com a não tradução de algumas frases. Em línguas mais comuns como o inglês ou castelhano, até se dá o desconto; mas com línguas mais fora do conhecimento da maioria dos leitores, como o neerlandês, impôe-se uma tradução para melhor compreensão do contexto da acção. Concluindo, uma leitura muito interessante que nos deixa a pensar sobre esse mundo que continua um tanto obscuro para a maioria das pessoas que é a política.
 
Excerto:
"Considere o mundo como um imenso tabuleiro de xadrez.; eles são os reis, que tudo dominam, e que são protegidos por todos. Os governos, são as torres, os bispos, os cavalos, os que melhor os protegem no fundo, e eu, e muitos outros como eu, nós somos os peões. Fazemos os trabalhos mais sujos por eles, protegemos aqueles que os protegem a eles, mas não trabalhamos para eles, trabalhamos para o dinheiro, somos as suas legiões, e por defeito, somos facilmente dispensáveis, por isso o meu receio em lhe contar isto tudo."

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