Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Maria Moisés

Autor: Camilo Castelo Branco
Ano: 1972


Esta edição dos Livros RTP reúne três novelas publicadas por Camilo Castelo Branco entre 1875 e 1877. A primeira, que dá o nome a esta colectânea, Maria Moisés, retrata a história de uma jovem com este mesmo nome que, depois de abandonada à nascença, serve-se dos rendimentos que possui para dar auxílio a outras crianças cujo destino foi o mesmo que o dela. A segunda novela dá pelo nome de O Cego de Landim onde se conta a história de António José Pinto Monteiro, um homem cego que ficou conhecido pela designação que dá nome à novela. Por último, a terceira novela que dá pelo nome de A Morgada de Romariz e que conta a história dos antepassados de D. Felizarda, conhecida pelo pela designação que também dá nome a esta novela.
Esta foi uma obra muito interessante de ler. As três novelas presentes neste livro apresentam todas um ambiente muito rural, um pouco ao jeito dos contos de Miguel Torga, que me agradou bastante. Tirando a novela O Cego de Landim, todas elas mostram o lado duro do que eram viver no campo antigamente. Momentos em que o trabalho era duro e o pagamento escasso. Momentos em que as dificuldades eram muitas e, infelizmente, as bocas para alimentar por família também. Existem aqui e ali algumas críticas sociais nos textos, no entanto estão bem dissimuladas.

Excerto:
"Vejam os profundos segredos do céu! Os crimes obscuros quase nunca é a lâmpada da virtude que os descortina; são sempre os cerdos que foçam e tiram à tona dos lamaceiros as podridões submersas."
(57º livro do Desafio Lusofonia 2010)

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Le concert



Nome em português: O Concerto
Ano: 2009
Género: Musical/Comédia/Drama
Realização:
Radu Mihaileanu
Elenco:
Aleksey Guskov (Andrey Simonovich Filipov (as Alexeï Guskov)), Mélanie Laurent (como Anne-Marie Jacquet / Lea), Dmitri Nazarov (Aleksandr 'Sasha' Abramovich Grosman (as Dimitri Nazarov)

Achei a ideia do filme mesmo mesmo fixe. E do filme em si acho que a coisa que mais me incomodou foi a língua em que era falado. Uma pessoa habitua-se a ver filmes falados em inglês e depois estranha quando o filme é falado noutra língua. E achei demasiado ridículas algumas cenas finais. Fora isso, gostei bastante.

"Na época de Brejnev, Andreï Filipov era o maior maestro da União Soviética e dirigia a célebre Orquestra de Bolshoï. Mas após ter recusado separar-se dos seus músicos judaicos, entre os quais o seu melhor amigo Sacha, foi afastado em plena glória. Trinta anos mais tarde, ele trabalha todos os dias no Teatro de Bolchoï mas… como empregado de limpeza. Uma noite, quando Andreï fica a tratar das limpezas até tarde, dá de caras com um fax endereçado à direcção do Teatro – um convite do Teatro de Châtelet para que a Orquestra de Bolshoï vá tocar a Paris. Subitamente, Andreï tem uma ideia louca: porque não reunir os seus antigos companheiros, que hoje em dia vivem de pequenos trabalhos e dirigi-los em Paris, fazendo-os passar pela orquestra de Bolchoï? É a oportunidade tão aguardada de, finalmente, se vingarem…"



Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

WarGames



Nome em português: Jogos de Guerra
Ano: 1983
Género: Drama/Ficção Científica/Thriller
Realização:
John Badham
Elenco:
Matthew Broderick (como David), Ally Sheedy (como Jennifer) e John Wood (como Falken)

Ao escrever o post dei-me conta que o realizador deste filme é o mesmo do filme
Minutos Contados, filme esse que eu adorava ver quando era pequena. E que este filme é de 1983, ano em que eu nasci. :)
Apesar deste filme ser assim um bocado para o esquisito, ter várias coisas impossíveis de acontecer (ainda para mais no ano de 1983), e não ser propriamente do meu género, não foi um mau filme e eu gostei.

"Um jovem aficcionado por informática conecta o seu computador acidentalmente ao sistema de defesa americano, controlado por um computador ultrasofisticado. O acidente provoca um estado de alerta, que pode acabar causando a Terceira Guerra Mundial."





Jogos de Guerra "WarGames" por educaco no Videolog.tv.

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Razões de Coração

Autor: Álvaro Guerra
Ano: 2002

Álvaro Guerra inspirou-se em anotações escritas nas margens de um calendário litúrgico ali deixadas por um frade franciscano arrábido, Frei Pedro Taveira, para escrever este romance. Após um longo percurso de pesquisa no que diz respeito à época retratada, o autor começa a sua obra com o episódio sobejamente conhecido da História Nacional da partida da Família Real Portuguesa para o Brasil aquando da primeira Invasão Francesa. Sem um exercito nacional para o deter, Junot entra no território e começa a conquistar terreno até ao momento em que se formam revoltas populares e chega ajuda vinda dos eternos aliados Ingleses. Paralelamente a este enredo histórico, desenrola-se um outro, onde acontece uma história de amor. Ela é Mariana Maldonado, uma fidalga portuguesa apaixonada pelas "luzes" da Revolução, luta contra o Portugal rural, realista à moda antiga, que nada sabe sobre o que vai por esse mundo e que se acobarda perante o terror jacobino. Ele é Philipe de Villepin, um capitão de dragões do exército de Junot que debate-se com o cansaço de 14 anos de guerras, caminhadas intermináveis pela Europa inteira, provações, insónias e ferimentos.
Existem muitos momentos da História de Portugal que me despertam a curiosidade. As Invasões Francesas e a Revolução Liberal são alguns deles, daí a minha opção por esta obra em particular. No que diz respeito ao enredo histórico, é um livro interessante. A pesquisa do autor está bem visível nos detalhes meticulosos no que diz respeito a roupas, locais, costumes ou modos de falar. Mas, tirando isso, todo o livro é chato. Numa primeira abordagem ao mesmo, notei que toda a estrutura do texto (início dos capítulos, modo de organização dos mesmos) tinha enormes semelhanças com a estrutura das Viagens na Minha Terra de Garrett. Talvez por influência desta semelhança, toda a história me pareceu tão chata como a do referido livro, tornando a leitura do mesmo um exercício a roçar o suplício.
 
Excerto:
"O medo. É uma víscera não inventariada pela anatomia, a dor dum laço corrediço que começa nas tripas e se aperta na garganta seca, uma ânsia que confunde as entranhas do ventre com o pulsar do coração, a consciência do perigo com os impulsos da sobrevivência animal. Porque não há herói sem sorte e sem o medo, que é esta reacção química natural de todo o suco que circula no corpo dum homem ameaçado e se expande em cada fibra e nervo que ordena os movimentos e comanda as sensações."
(56º livro do Desafio Lusofonia 2010)

Sábado, 25 de Dezembro de 2010

The Social Network



Nome em português: A rede social
Ano: 2010
Género: Biografia/Drama/História
Realização:
David Fincher
Elenco:
Jesse Eisenberg (como Mark Zuckerberg), Andrew Garfield (como Eduardo Saverin) e Justin Timberlake (como Sean Parker)

Gostei imenso deste filme! Muito mesmo!

"Certa noite no ano de 2003, o génio da programação e aluno de Harvard, Mark Zuckerberg, senta-se ao computador e começa a trabalhar numa nova ideia. Aquilo que inicialmente era apenas uma mistura de programação e blogging, cedo se tornou numa rede social à escala mundial, que revolucionou a forma de comunicar. Seis anos e 500 milhões de amigos depois, Mark Zuckerberg é o mais novo bilionário da História... mas para este empresário, o sucesso vai trazer-lhe também problemas pessoais e legais."



Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Eat Pray Love



Nome em português: Comer, orar, amar
Ano: 2010
Género: Drama/Romance
Realização:
Ryan Murphy
Elenco:
Julia Roberts (como Liz Gilbert), Javier Bardem (como Felipe) e Richard Jenkins (como Richard from Texas)

Ia com muitas expectativas em relação a este filme. E não foi mau, até gostei. O problema é que foi muito longo. Custa-me ver filmes muito demorados, porque depois fico sem posição para estar sentada... É baseado numa história real, e havia em livro antes de se fazer um filme.

"Elizabeth Gilbert ao completar 30 anos, ter se casado várias vezes e tido muitos namorados – todos sem sucesso – tinha tudo que muitas pessoas sonham em ter, mas não tinha mais o que realmente precisava: vontade de viver.
Foi assim que decidiu então largar tudo, arriscar tudo o que conquistou para tentar resgatar a felicidade de viver. Viajar pelo mundo, Itália, Índia e Bali serão os destinos de Elizabeth. Irá provar as melhores comidas (Comer), meditar e buscar a paz interior (Rezar), e aproveitar tudo o que um bom relacionamento tem a oferecer-nos (Amar)."

Trailer:



Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

The Rock



Nome em português: O Rochedo
Ano: 1996
Género: Acção/Thriller
Realização:
Michael Bay
Elenco:
Sean Connery (como John Patrick Mason), Nicolas Cage (como Dr. Stanley Goodspeed) e Ed Harris (como Brigadier General Francis X. Hummel, USMC)

A descrição do filme é muito boa. Até parece um filme fixe. Mas não é. É demasiado violento. É bem daquele género de filmes que eu não gosto.

"Os vencedores do Óscar da Academia Sean Connery e Nicholas Cage brilham neste espectacular filme de acção e aventura aclamado pela crítica como o mais emocionante e explosivo filme do ano.
THE ROCK - O ROCHEDO! Milhões de vidas estão ameaçadas depois de um militar louco ter tomado controlo da ilha prisão de Alcatraz, ameaçando lançar mísseis com gás venenoso sobre São Franciscco. Com o tempo em contagem decrescente, um especialista em armas químicas e um astuto prisioneiro federal, que é só o único homem a ter escapado alguma vez de Alcatraz, têm agora de penetrar na prisão e desarmar os míseis."

Trailer:



Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Sarah Mclachlan - Wintersong





The lake is frozen over
The trees are white with snow
And all around
Reminders of you
Are everywhere I go

It's late and morning's in no hurry
But sleep won't set me free
I lie awake and try to recall
How your body felt beside me
When silence gets too hard to handle
And the night too long

And this is how I see you
In the snow on Christmas morning
Love and happiness surround you
As you throw your arms up to the sky
I keep this moment by and by

Oh I miss you now, my love
Merry Christmas, merry Christmas,
Merry Christmas, my love

Sense of joy fills the air
And I daydream and I stare
Up at the tree and I see
Your star up there

And this is how I see you
In the snow on Christmas morning
Love and happiness surround you
As you throw your arms up to the sky
I keep this moment by and by

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

StreetDance 3D



Ano: 2010
Género: Acção/Aventura/Drama/Musical
Realização:
Max Giwa e Dania Pasquini
Elenco:
Charlotte Rampling (como Helena), Nichola Burley (como Carly) e Rachel McDowall (como Isabella)

É um filme que agrada bastante a quem é apreciador de dança. Já tinha visto anteriormente um filme deste género e acho que não são muito diferentes entre si.

"As coisas não podiam estar a correr melhor para a dançarina de rua Carly. Está apaixonada pelo carismático namorado, Jay, e o seu grupo de dança chegou às finais do Campeonato de Inglaterra de Dança de Rua. Mas tudo se altera quando Jay abandona Carly e o grupo. Completamente de rastos, Carly luta para provar ao seu grupo - e a si própria – que os pode levar à vitória. Mas, depois de terem perdido o seu espaço para ensaiar, ela começa a duvidar seriamente das suas capacidades de liderança.

A salvação chega de forma inesperada da professora de ballet, Helena. Impressionada pelas capacidades e pelo entusiasmo de Carly e da sua trupe, faz um acordo com eles: podem ensaiar no luxuoso estúdio da Academia de Ballet se em troca aceitarem colaborar com os seus bailarinos clássicos. Helena espera que Carly consiga injectar alguma da intensidade e paixão dos bailarinos de rua nos seus alunos.

Um choque de culturas é o que resulta quando os dois diferentes estilos de dança se confrontam."

Trailer:



Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Shake Up Christmas - Train



Estava a faltar aqui uma musiquinha para dar o ambiente ao Amálgama.
FELIZ NATAL a todos!

Sábado, 11 de Dezembro de 2010

Memorial de Aires

Autor: Machado de Assis
Ano: 1972

Memorial de Aires consiste em entradas de diário escritos entre 1888 e 1889 pelo conselheiro Aires, um diplomata reformado e sexagenário, aquando do seu regresso ao Brasil natal para gozar os seus anos de reforma. São vários os assuntos que aborda, mas todos eles acabam por estar mais ligados às relações pessoais do conselheiro do que propriamente uma análise da sociedade. Nas páginas do diário figuram personagens como a mana Rita, a viúva Fidélia Noronha, o casal Aguiar, o político Tristão (afilhado do casal Aguiar), entre outros.
Apesar de a contra-capa do livro afirmar que este é o livro "mais alto, pelo tom simultaneamente sarcástico e de subtil humorismo que nele se alia à perfeição de estilo" de Machado de Assis, comparada com os outros livros que li do mesmo autor, esta obra está "uns furos abaixo" dos outros. Não nego o que diz a pequena sinopse do livro, já que o espírito da escrita de Machado de Assis está bem presente. Simplesmente, por ser completamente escrito em forma de diário, não tem a mesma emoção e empatia de outros. Não existem no texto as pequenas críticas escondidas que existem noutros, não existe a interacção escritor-leitor de outros livros. Ao estar escrito desta forma, torna-se apenas mais um livro. Como se o talento do artista estivesse a desaparecer, acompanhando o processo de desaparecimento da própria pessoa (Memorial de Aires foi o último livros que Machado de Assis publicou em vida).
 
Excerto:
"Não, papel. Quando sentires que insisto nessa nota, esquiva-te da minha mesa, e foge. A janela aberta te mostrará um pouco de telhado, entre a rua e o céu, e ali ou acolá encontrarás descanso. Comigo, o mais que podes achar é esquecimento, que é muito, mas não é tudo; primeiro que ele chegue, virá a troça dos malévolos ou simplesmente vadios."
( 55º livro do Desafio Lusofonia 2010)

Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Moulin Rouge!

Ano: 2001
Realizador: Baz Luhrmann
Argumento: Baz Luhrmann e Craig Pearce
Elenco: Nicole Kidman (Satine), Ewan McGregor (Christian), John Leguizamo (Toulouse-Lautrec), Jim Broadbent (Harold Zidler), Richard Roxburgh (Duque)

Sim, eu nunca tinha visto o Moulin Rouge. Aproveitei que deu na TV e vi-o. Adorei o filme apesar de achar que o final é demasiado dramático. Ah, e não achei grande piada ao modo de cantar do Ewan McGregor. A cena do tango é excelente, bastante intensa.

"Paris de 1899. Christian, um jovem com sonhos de ser poeta, desafia o seu pai quando passa a frequentar o submundo da cidade, precisamente o tradicional clube parisiense Moulin Rouge. Neste depravado e glamoroso refúgio de sexo e drogas, o inocente poeta conhece e apaixona-se por Satin, a grande estrela do clube e a cortesã mais famosa da cidade, com quem vive um trágico caso de amor."

Trailer:

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Despicable Me

Título em português: Gru - O Maldisposto
Ano: 2010
Realização: Pierre Coffin e Chris Renaud
Argumento: Ken Daurio e Cinco Paul
Vozes na versão portuguesa: Nicolau Breyner (Gru), David Fonseca (Vector), Pedro Mourinho (Pivô de TV)

Admito que sou uma criança grande, adoro filmes de animação. Sobre este filme tenho 3 coisas a dizer: ri-me bastante, a Agnes é fofinha por demais e eu quero um Mínimo só p'ra mim!

"Num feliz bairro suburbano, rodeado por pequenas cercas brancas, com roseiras floridas, encontra-se uma casa negra com a relva morta. Sem o conhecimento dos vizinhos, escondido por baixo desta casa, existe um vasto esconderijo secreto… Rodeado por um pequeno exército de Mínimos está Gru, planeando o maior golpe na história do mundo. Ele vai roubar a Lua... Gru adora tudo o que é maléfico. Armado com o seu arsenal de raios de encolher, raios de congelar e veículos de guerra para terra e ar, ele arrasa todos aqueles que se atravessam no seu caminho; até ao dia em que encontra três pequenas orfãs que vêm nele algo que ninguém mais viu: um potencial Pai."

Trailer:


Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

O Arco de Sant'Ana

Autor: Almeida Garrett
Ano: 1972

O Arco de Sant’Ana é um romance histórico que se desenrola no século XIV e que retrata aquilo que se julga ser uma lenda ou anedota medieval. A mesma relata que D.Pedro I terá açoitado e despojado o bispo dos símbolos eclesiásticos em pleno paço, perante o olhar de uma multidão. No tempo em que o bispo do Porto era o chefe supremo daquele feudo, este manda os seus lacaios, encabeçados pelo chefe da guarda Pêro Cão, raptar a jovem Aninhas. Tendo a vizinha e amiga Gertrudinhas, namorada do protegido do bispo, o jovem estudante Vasco, dado o alarme e lhe ordenado que fosse buscar auxílio junto do Rei, o mancebo dirige-se a Gaia para se encontrar a bruxa Guiomar, que o irá ajudar a fazer entrar D. Pedro no Porto na calada da noite. O povo revoltou-se e cercou o paço episcopal para exigir a libertação de Aninhas, levando na frente dos contendores Vasco, que empunhava o estandarte da cidade.
São várias as pessoas que conheço que, apesar de terem amor pela leitura, nos tempos de escola ficaram com um certo amargo de boca quanto à obra de Garrett, nomeadamente por causa das Viagens na Minha Terra. Eu insiro-me nesse grupo. A aquisição desta obra foi, da minha parte, uma tentativa de reconciliação com um autor considerado um vulto de renome na literatura lusófona. Mas como diria o poeta, ledo engano. Aos meus olhos, as obras de Garrett continuam a ser o mesmo suplício na hora de ser lidas. A escrita é demasiado trabalhada, com floreados a mais, uma escrita cansativa e chata. O autor continua a colocar no meio do texto apartes desnecessários e o enredo desta obra em particular é bastante previsível. Mesmo antes do capítulo onde se revela o passado de algumas personagens já tinha conseguido deslumbrar quais as ligações de parentesco que as uniam. Salvam-se, no entanto, as críticas à sociedade que Garrett semeou ao longo do texto e que parecem sempre bastante actuais no que diz respeito ao quotidiano português.

Excerto:
"Ia crescendo o tumulto, e iam-se ouvindo, mais claros e distintos, os brados da multidão, porque ela se ia aproximando do arco, o bendito Arco da Senhora Sant'Ana, onde parece que todo o movimento daquele dia tinha de concentrar-se: como se a santa, ofendida pelo inaudito desacato que ali se tinha cometido, ali quisesse ver rebentar os tremendos efeitos da sua justa indignação"
(54º livro do Desafio Lusofonia 2010)