terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

The Secret



Nome em português: O segredo
Ano: 2006
Realizador:
Drew Heriot

"Este documentário aborda o segredo da atracção, ou seja ajuda-o a perceber como atrair as coisas que você quer para você quer (tanto boas como más). Quem realmente perceber o Segredo terá à sua frente um futuro brilhante."

Um documentário interessante. E tudo seria tão simples se realmente funcionasse dessa forma...





domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Death at a Funeral


Nome em português: Morte num funeral
Ano: 2007
Realizador:
Frank Oz
Principais actores:
Matthew Macfadyen (como Daniel), Ewen Bremner (como Justin), Rupert Graves (como Robert)

Um filme muito fixe. Parti-me a rir com algumas cenas. :p

"No ambiente frágil e delicado, expectável no velório de um ente querido, o caos instala-se quando os efeitos do romance, inveja, familiares distantes, alucinogénios, segredos obscuros... e uma pitada de chantagem se vão manifestando no decorrer da cerimónia. mas todas estas situações são quase insignificantes perante a surpresa do dia: um convidado misterioso ameaça expor um embaraçoso e impensável segredo familiar... Cabe agora aos dois irmãos encobrir a todo o custo a verdade de familiares e amigos…"

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Grab a Song - Blasted Mechanism feat. Los Reyes

Álbum: Mind at Large
Ano: 2009

Os Blasted mudaram de vocalista, mudaram de fatos mas as sonoridades a lembrar o Oriente continuam. Na minha opinião, o que dá a piada a esta música em particular é a mistura dos sons da banda com os mariachi's mexicanos

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Rosa Brava

 
Autor: José Manuel Saraiva
Ano: 2005

D. Leonor Teles era uma mulher com ideias avançadas para o seu tempo, uma mulher esclarecida que não se queria limitar ao destino normal das mulheres, um futuro imposto pelos pais ou outros familiares. Mas, no seu caso, a vontade do tio suplantou a sua, tendo Leonor Teles sido obrigada a casar com o morgado de Pombeiro, homem que sempre renegou como marido. Anos mais tarde, e já com um filho, Leonor Teles cumpre a promessa que havia feito à aia Briolanja Mendes de abandonar definitivamente Pombeiro quando esta morresse, usando de um convite da irmã Maria Teles para a visitar na corte, em Lisboa. Já na corte, Leonor Teles impressiona tudo e todos com a sua beleza, chegando ao ponto de deixar o rei D. Fernando caído de amores.
Este é um livro que, embora romanceado, mostra aos leitores a conjectura política em torno do reinado de D. Fernando que vem culminar com a conhecida crise de 1383-85, que levaria D. João Mestre de Avis ao trono, com o apoio das camadas mais pobres da sociedade. D. Leonor Teles é aqui retratada como uma mulher com conhecimentos e de ideias persistentes, sabendo exactamente que rumo que queria para a sua vida. Mas a sede de poder leva-a a arquitectar numerosos planos no sentido de afastar do seu caminho todos quantos podiam estragar os mesmos. Este é um excelente livro para todos aqueles que se interessam pela História de Portugal, bem como das personagens históricas que dela fizeram parte.

Excerto:
"Ao contemplar esse espectáculo de esplendor, Leonor Teles lembrou-se de um dia ter ouvido a Vicente Esteves - o professor de Leis, de Coimbra, com quem dormiu e por quem se apaixonou por tempo breve - que o arco-íris é o caminho e a mediação entre a terra e o céu; a ponte de que se servem os deuses e os heróis para fazerem o percurso entre o nosso e o outro mundo."
(8º livro do Desafio Lusofonia 2010)

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda

Álbum: Canção ao Lado
Ano: 2008

Houve quem quisesse, em jeito de brincadeira, elevar esta música a hino nacional. E com razão! Espelha preto no branco aquilo que é, infelizmente, a mentalidade de muitos portugueses. Acho-lhe muita piada.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Pink - I Don't believe you




Album: Funhouse
Ano: 2008

I don't mind it
I don't mind at all
It's like you're the swing set
And I'm the kid that falls
It's like the way we fight
The times I've cried
We come to blows
And every night
The passions there
So it's got to be right
Right?

No I don't believe you
When you say don't come around here no more
I wont remind you
You said we wouldnt be apart
No I dont believe you
When you say you don't need me anymore
So don't pretend to
Not love me at all

I don't mind it
I still don't mind at all
It's like one of those bad dreams
When you can't wake up
It looks like you've given up
You've had enough
But I want more
No I won’t stop
Because I just know
You'll come around
Right?

No I don't believe you
When you say don't come around here no more
I won't remind you
You said we would'nt be apart
No I don't believe you
When you say you don't need me anymore
So don't pretend to
Not love me at all

Just don't stand there and watch me fall
Because I, because I still don't mind at all

It's like the way we fight
The times I've cried
We come to blows
And every night
The passion’s there
So it's got to be right,
Right?

No I don't believe you
When you say don't come around here no more
I won't remind you
You said we wouldnt be apart
No I don't believe you
When you say you don't need me anymore
So don't pretend to
Not love me at all

I don't believe you

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Contos e Diário


Autor: Florbela Espanca
Ano: 2009

Rui Guedes reuniu neste livro 3 blocos de contos escritos nas várias épocas da vida da poetiza e um excerto do seu diário, que representa o último ano de vida da mesma. Em Contos Esparsos, estão alguns contos que nunca foram compilados em livro e que percorrem vários anos da vida da poetiza. A título de exemplo, Florbela Espanca escreveu o conto Mamã aos 13 anos. No segundo bloco de contos, O Dominó Preto, a escrita já flui mais madura, mais bela. Já a escrita do terceiro bloco de contos, intitulado Máscaras do Destino, é profundamente marcada pela morte do irmão da poetiza, sendo o tema da morte bastante recorrente.
Nunca tinha me debruçado sobre a prosa de Florbela Espanca, pelo que decidi apostar um pouco nesse sentido. Nota-se aqui e ali que a prosa não era o registo onde Florbela exprimia melhor os seus sentimentos, mas os seus textos não deixam de ser excelentes de ler, pautados por frases enérgicas, frases belas, algumas até carregadas de erotismo. No entanto, confesso que li a maioria dos contos presentes no terceiro bloco quase que na diagonal. A constante presença do tema da morte perturbou-me, pelo que praticamente saltei esses textos.

Excerto:
"- Aqui tens estes sapatos de ferro, calça-os e caminha... Caminha sempre, sem descanso nem fadiga, vai sempre avante e nunca te detenhas, não pares nunca!... A estrada da vida tem trechos de céu e paisagens infernais; não te assuste a escuridão, nem te deslumbres com a claridade; nem um minuto sequer te detenhas à beira da estrada; deixa florir os malmequeres, deixa cantar os rouxinóis. Quer seja lisa, quer seja alcantilada a imensa estrada, caminha, caminha sempre! Não pares nunca! Um dia os sapatos hão-de romper-se, deter-te-ás então. É que terás encontrado, enfim, os olhos perturbadores e profundos, a boca embriagante e fatal que há-de prender-te para todo o sempre!"

(7º livro do Desafio Lusofonia 2010)

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Contos da Montanha


Autor: Miguel Torga
Ano: 2007

Composto por 23 contos, neste livro Miguel Torga apresenta aos seus leitores textos que assentam mais em descrições do comportamento humano, das suas emoções e dos seus sentimentos do que em descrições de aspectos paisagísticos da zona geográfica de que era originário o poeta. Citando alguns exemplos, em Maria Lionça, a personagem homónima personifica a ruralidade e a dignidade das mulheres transmontanas que, apesar de analfabetas, se impunham pelo respeito, pelos bons costumes e pela sua sabedoria popular empírica; em Bruxedo, a personagem Melra representa as superstições que, ao longo de muitas gerações, se foram enraizando na vida daquelas gentes, fazendo parte do seu dia-a-dia.
Mais um livro de belos contos escritos pelo poeta transmontano. Apesar de, tal como referia acima, estes contos terem uma forte componente humana, as descrições das serranias porque Torga era conhecido estão presentes e algumas bem marcantes até. Um livro onde as pessoas são os heróis e os sobreviventes da suas vidas de miséria, de fome e de sofrimento.

Excerto:
"Tinham findado de todo os horizontes largos do planalto, onde a alma corre de fraga em fraga, sempre à vista do céu. Encostas negras, em escada, cobertas de estevas ou eriçadas de zimbro, faziam tudo para entristecer quem lhes passava ao pé. À esquerda, um despenhadeiro de meter medo; à direita, uma penedia por ali acima, que só de vê-la faltava a respiração; ao longe, mortórios escalvados e desiludidos. Mas o grande rio doirado, que a luz da tarde transformara numa barra cintilante, chamava a si toda a atenção dos olhos, e a paisagem emergia do abismo engrandecida e transfigurada."

(6º livro do Desafio Lusofonia 2010)

Laços - Toranja


Álbum: Segundo
Ano: 2005

Esta é uma das minhas músicas preferidas da banda de Lisboa. Ouvia-a muitas vezes, ao estilo de hino inspirador, quando queria que as memórias de outros dias largassem as amarras e me deixassem em paz, quando queria que essas memórias me devolvessem os laços que me prendiam à sanidade mental.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

The Big Bang Theory



Ano: 2007
Principais actores:
Johnny Galecki (como Leonard Hofstadter), Jim Parsons (como Sheldon Cooper), Kaley Cuoco (como Penny), Simon Helberg (como Howard Wolowitz) e Kunal Nayyar (como Raj Koothrappali)


Demorei vários dias para ver os 17 episódios que compõem a primeira série da Série "The Big Bang Theory". Muito fixe!

"The Big Bang Theory é uma sitcom americana. A série conta a história de Leonard e Sheldon, dois nerds génios em Física que conhecem fórmulas indecifráveis, cuja inteligência, no entanto, não os ajuda a interagir com as pessoas, principalmente as mulheres."



sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Um Estranho em Goa


Autor: José Eduardo Agualusa
Ano: 2008

O narrador deste livro, José, parte para a cidade indiana de Goa no sentido de encontrar Plácido Domingo, um guerrilheiro que participou, do lado da facção angolana, na guerra contra Portugal e que por motivos que se vão descobrindo durante a narração, parte para o Oriente. Esta é uma história passada naquela antiga colónia portuguesa, que aborda a relação política e emocional dos goeses com o passado português e a actualidade indiana. Mas é também uma história sobre passados que se querem esquecer, do mesmo modo como o passado da diáspora portuguesa é cada vez mais uma matéria de nevoeiros e saudades.
Este é um dos motivos porque aprecio a escrita de Agualusa. As suas histórias misturam todo um manancial de sensações que reavivam as raízes da lusofonia. As cores, os cheiros, as palavras, o misticismo, mas principalmente um sentimento profundo de quem gosta de ser e de sentir português. Um livro lindíssimo, que nos transporta para o Oriente através das palavras, com elementos muito marcantes como a descrições das cores e dos lugares.

Excerto:
"- A nossa espécie - continuou - tem fraca memória. Esquecemo-nos de quase tudo. Muitas vezes, por outro lado, julgamos lembrar-nos de coisas que nunca nos aconteceram. Coisas que lemos, que aconteceram a outros, ou que alguém nos contou. Certos peixes esquecem-se de onde vieram no curto instante que levam a percorrer um aquário. O aquário é para eles, dessa forma, um espaço infinito, novo a cada instante, cheio de surpresas e diversidade. Cada volta que dão parece-lhes uma experiência inédita. Connosco passa-se algo semelhante. A natureza criou o esquecimento para que nos seja possível suportar o terrível tédio deste minúsculo aquário a que chamamos vida."

(5º livro do Desafio Lusofonia 2010)

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

A ilustre casa de Ramires



Ano: 1900
Autor: Eça de Queirós

Primeiro de tudo, quero dizer que não gostei nada deste livro. Demorei 7 meses e meio para o ler, tinha excesso de personagens desnecessárias e acho que nem percebi a sua história na totalidade. Não recomendo.

"A história aparente narra a vida de Gonçalo Mendes Ramires, a sua chegada à política e as tradições familiares portuguesa, mas fica evidente a analogia que Eça faz com a História portuguesa, as suas mudanças políticas e a sua tradição. O administrador Gouveia, uma das personagens, chega a afirmar, nas últimas linhas da obra, que o seu amigo Gonçalo se parece com Portugal."

Ai sim? Evidente? Não reparei em nada disso.

E há quatro histórias em simultâneo:
(História 1) Gonçalo escreve uma novela; motivação da história
(História 2) Desejo de Gonçalo entrar na política –> Eleições para deputado
(História 3) O casamento da irmã e seu romance com Cavalleiro
(História 4)A possibilidade de um casamento com uma rica e bela viúva

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas


Autor: Machado de Assis
Ano: 2007

Brás Cubas morreu em Agosto de 1869. Esta caricata personagem auto-intitula-se como sendo o primeiro defunto-autor da história, e não um autor defunto, visto que ele escreveu as suas memórias já depois de ter morrido. Brás Cubas começa as suas memórias com uma dedicatória que antecipa o humor negro e a ironia presente em todo o livro: Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.
Eis um enredo interessante logo à partida: um morto a escrever as suas memórias, desde a infância, passando pelos amores, as amantes, a vida política ou a vida pública. Gosto sobretudo do modo como Machado de Assis escrevia, mantendo uma interactividade com os leitores, fazendo com que entrassem na história e pondo-os a pensar no que leram. São muitos os excertos que trazem alguma moral nas entrelinhas e outros que comportam verdades indiscutíveis. Eis mais um autor a acrescentar à lista de aquisições de novas obras.

Excerto:
"Mas é isso mesmo que nos faz senhores da terra, é esse poder de restaurar o passado, para tocar a instabilidade das nossas impressões e a vaidade dos nossos afetos. Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até à edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."

(4º livro do Desafio Lusofonia 2010)

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

A Cidade e as Serras


Autor: Eça de Queirós
Ano: 2009

Tal como o título indica, neste livro existe o contraponto entre duas realidades distintas. De um lado, a Cidade. A modernidade, a civilização, o ócio e as festas provocam em Jacinto sentimentos como a melancolia, o aborrecimento, o cansaço. Do outro lado, a Serra. Jacinto no reencontro com a velha casa da família, em Tormes, renova-se, numa atitude de encantamento. Integrando-se na vida produtiva do campo, Jacinto aplica os seus conhecimentos técnicos e científicos à situação concreta de Tormes, planeando a construção de queijarias ou a criação de extensos prados. Sem romper totalmente com os valores da civilização, Jacinto adapta o que pode ao campo, dando também o seu contributo para a modernização da serra, ao trazer o telefone.
Este é um registo diferente daquele que Eça sempre adoptou. O escritor poveiro abandona a critica mordaz à sociedade para se voltar para a Natureza. As descrições feitas das serras na zona do Douro são de uma beleza incrível. Um livro lindíssimo, com Eça no seu melhor, apesar da obra ter sido escrita a um ano do escritor partir deste mundo. Altamente recomendável para quem gosta de excelente literatura.

Excerto:
"Mas o que a Cidade mais deteriora no Homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância. (...) Todos, intelectualmente, são carneiros, trilhando o mesmo trilho, balando o mesmo balido, com o focinho pendido para a poeira onde pisam, em fila, as pegadas pisadas; - e alguns são macacos, saltando no topo de mastros vistosos, com esgares e cabriolas. Assim, meu Jacinto, na Cidade, nesta criação anti-natural onde o solo é de pau e feltro e alcatrão, e o carvão tapa o céu, e a gente vive acamada nos prédio como o paninho nas lojas, e a claridade vem pelos canos, e as mentiras se murmuram através de arames - o homem aparece como uma criatura anti-humana, sem beleza, sem força, sem liberdade, sem riso, sem sentimento, e trazendo para si um espírito que é passivo como um escravo ou imprudente como um histrião... E aqui tem o belo Jacinto o que é a bela Cidade!"

(3º livro do Desafio Lusofonia 2010)

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Bichos


Autor: Miguel Torga
Ano: 2008

Bichos é o retrato fiel do quotidiano transmontano. Uma vida pautada de suor e lágrimas, por entre vales e lobos, mas sempre repleta daquela alegria de ser simples, de viver em comunhão total com a natureza, em fusão permanente com os elementos. Miguel Torga fez desta obra um testemunho inigualável da união natural entre os Homens e os bichos. Entre os dois, a terra, o denominador comum que lhes dá vida. No trabalho, nas paixões ou nas dores, os bichos compartilham com os homens as esperanças e as desgraças. 
Esta é uma obra que retrata bem as raízes mais rurais de Miguel Torga, bem como o seu apego às origens, bem latente na sua poesia. Através de vários contos, Torga traz à vida diversos animais que povoam o universo rural como os cães, as galinhas, os cavalos, os pássaros, etc. Foram vários os contos que me tocaram particularmente, em especial o intitulado "Nero", por causa de uma situação idêntica que vivi na infância. Apesar de ser um livro pequeno (94 páginas), é uma obra lindíssima.

Excerto:
"Apesar disso, no íntimo, considerava-se propriedade dos três: da filha, do velho e da velha. Com eles compartilhara aqueles longos oito anos de existência. Com eles passara invernos, outonos e primaveras, numa paz de família unida. Também estimava o outro, o fidalgo da cidade, evidentemente, mas amizades cerimoniosas não se davam com o seu feitio. Gostava era da voz cristalina da dona nova, da índole daimosa da patroa velha e da mão calejada do velhote."

(2º livro do Desafio Lusofonia 2010)

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Capitães da Areia


Autor: Jorge Amado
Ano: 2009

Esta obra relata as peripécias dos meninos de rua de São Salvador da Bahia, na década de 30, tendo como pano de fundo a miséria do cais de S. Salvador e a sombra protectora da mãe-de-santo Don' Aninha. Mostra o quotidiano do grupo e o seu modo de agir, de conviver, a sua luta por alimento, abrigo, dinheiro, ou seja, a luta diária pela sobrevivência. Procura também demonstrar que é a sociedade que leva essas crianças ao crime e à marginalidade, graças ao distanciamento entre classes. A violência, uma constante no quotidiano destes meninos que vivem do roubo, tem o seu contraponto na amizade que os une e nos momentos em que, extasiados, ouvem as histórias que vêm nos livros de aventureiros, de homens do mar, de personagens heróicas e lendárias que o Professor conta todas as noites.
Após terminar este livro, o meu único pensamento foi "Comecei o desafio com chave de ouro". Apesar de ser uma história muito triste, emocionante e dura, é também uma história que prende pela beleza e simplicidade da mesma. Grande parte dos meninos do grupo já não têm família, por isso o grupo é a família deles. Todos se tratam como iguais, no grupo há regras e quem não as cumpre é posto de lado e nos momentos difíceis todos se ajudam. Um livro que recomendo a toda a gente.

Excerto:
"Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e de rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. Não queria o que tinha Pirulito, o rosto cheio de uma exaltação. Queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivesse sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores."
 
(1º livro do Desafio Lusofonia 2010)